(Confissões de uma Águia misteriosa)

Dor? Sofrimento? Sim, sinto e tenho, mas nada é fácil nesse mundo. Enfim, se você se conforma com a vida que tem, é porque tem medo de tentar, e eu não tenho e lutarei até o fim.

Sobre a Águia

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Eu não sou nada. Não posso querer ser nada. Mas tenho em mim todos os sonhos do mundo... Uma coisa é escrever como poeta, outra como historiador: o poeta pode contar coisas não como foram, mas como deveriam ter sido, enquanto o historiador deve relatá-las não como deveriam ter sido mas como foram, sem acrescentar ou subtrair da verdade o que quer que seja.

domingo, 26 de julho de 2009

Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei.
Não sei se fico ou passo.
Sei que canto.
E a canção é tudo.
Tem sangue eterno e asa ritmada.
E sei que um dia estarei mudo:
- mais nada.


Cecília Meireles

terça-feira, 21 de julho de 2009

Ser de Ninguém


Na hora de cantar todo mundo enche o peito nas boates, nos bares, levanta os braços, sorri e dispara: "eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também".

No entanto, passado o efeito do uísque com energético e dos beijos descompromissados, os adeptos da geração "tribalista" se dirigem aos consultórios terapêuticos, ou alugam os ouvidos do amigo mais próximo e reclamam de solidão, ausência de interesse das pessoas, descaso e rejeição. A maioria não quer ser de ninguém, mas quer que alguém seja seu.

Não dá, infelizmente, para ficar somente com a cereja do bolo - beijar de língua, namorar e não ser de ninguém.
Para comer a cereja é preciso comer o bolo todo e nele, os ingredientes vão além do descompromisso, como: não receber o famoso telefonema no dia seguinte, não saber se está namorando mesmo depois de sair um mês com a mesma pessoa, não se importar se o outro estiver beijando outra, etc, etc, etc.
Desconhece a delícia de assistir a um filme debaixo das cobertas num dia chuvoso comendo pipoca com chocolate quente, o prazer de dormir junto abraçado, roçando os pés sob as cobertas e a troca de cumplicidade, carinho e amor.

Namorar é algo que vai muito além das cobranças. É cuidar do outro e ser cuidado por ele, é telefonar só para dizer bom dia, ter uma boa companhia para ir ao cinema de mãos dadas, transar por amor, ter alguém para fazer e receber cafuné, um colo para chorar, uma mão para enxugar lágrimas... Enfim, é ter "alguém para amar".
Somos livres para optarmos! E ser livre não é beijar na boca e não ser de ninguém. É ter coragem, ser autêntico e se permitir viver um sentimento...

Arnaldo Jabor

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Bons Amigos


Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!
Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!
Benditos os que guardam amigos , os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!
Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!
Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!
Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!

Machado de Assis

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Quero dedicar essa linda poesia de Machado de Assis, à todos os meus amigos...
Amigos verdadeiros, que me amam pelo o que sou e não pelo que tenho. Amigos que me aconselham, que choram junto comigo, que riem das minhas aventuras, das minhas loucuras.

Amigos, obrigado por tudo, em especial pelo carinho que recebo de todos vocês.
FELIZ DIA DO AMIGO! Eu sei que todo dia é dia do amigo, mas hoje é especial para podermos declarar aos 4 cantos o quanto nós nos amamos. E que nunca esqueçamos em quem podemos confiar...


quinta-feira, 9 de julho de 2009

Quero voltar a confiar

Fui criado com princípios morais comuns: Quando eu era pequeno, mães, pais, professores, avós, tios, vizinhos eram autoridades dignas de respeito e consideração.
Quanto mais próximos ou mais velhos, mais afeto. Inimaginável responder de forma mal educada aos mais velhos, professores ou autoridades...

Confiávamos nos adultos porque todos era pais, mães ou familiares das crianças da nossa rua, do bairro, ou da cidade...
Tínhamos medo apenas do escuro, dos sapos, dos filmes de terror.
Hoje me deu uma trsiteza infinita por tudo aquilo que perdemos. Por tudo o que os meus netos um dia enfrentarão. Pelo medo no olhar das crianças, dos jovens, dos velhos e dos adultos.

Direitos humanos para criminosos, deveres ilimitados para cidadãos honestos.
Não levar vantagem em tudo significa ser idiota. Trabalhor digno e cumpridor dos deveres virou otário. Pagar dívidas em dia é ser tonto... Anistia para corruptos e sonegadores.

O que aconteceu conosco?

Professores maltratados nas salas de aula, comerciantes ameaçados por traficantes, grades em nossas janelas e portas.

Que valores são esses?

Automóveis que valem mais que abraços. Filhas querendo uma cirurgia como presente por passar de ano. Filhos esquecendo o respeito no trato com os pais e avós. No lugar do senhor, senhora, ficou "oi cara?", "como está coroa?". Celulares nas mochilas de crianças.

O que vais querer em troca de um abraço?

A diversão vale mais que um diploma. Uma tela gigante vale mais que uma boa conversa. Mais vale uma maquiagem que um sorvete.
Mais vale parecer do que ser...

Quando foi que tudo desapareceu ou se tornou ridículo?
Quero arrancar as grades da minha janela para poder tocar as flores. Quero me sentar na varanda e dormir com a porta aberta nas noites de verão. Quero a honestidade como motivo de orgulho. Quero a retidão de carater, a cara mais limpa e o olhar olho-no-olho. Quero sair de casa sabendo a hora que estarei de volta, sem medo de assaltos ou balas perdidas.
Quero a vergonha na cara e a solidariedade. Onde uma palavra valia mais que qualquer documento assinado.
Quero a esperança, a alegria, a confiança de volta. Quero calar a boca de quem diz: "temos que estar ao nível de...", ao falar de uma pessoa.

Abaixo o "TER", viva o "SER".

E viva o retorno da verdadeira vida, simples como a chuva, limpa como o céu de primavera, leve como a brisa da manhã. E definitivamente bela, como cada amanhacer.

Quero ter de volta o meu mundo simples e comum. Onde existiam amor, solidariedade e fraternidade como bases. A indignação diante da ética, de moral, de respeito...
Vamos voltar a ser "gente". Construir um mundo melhor, mais justo, mais humano, onde as pessoas respeitem as pessoas.

Utopia? Quem sabe?... Precisamos tentar...
Nossos filhos merecem e nossos netos certamente nos agradecerão!

Arnaldo Jabor

sábado, 4 de julho de 2009

Covardia


Você foi covarde. Seu amor é forte, seu corpo é fraco. Você foi covarde como tantas vezes fui por acreditar que a coragem viria depois. A coragem não vem depois. A coragem vem antes ou não vem. Não posso amaldiçoar sua covardia. Sua boca não é rápida como suas pernas para me agarrar. Minhas pernas não são tão rápidas quanto minha boca para lhe impedir.

Você foi covarde. Pela gentileza de sempre dizer sim, repetidos sim, quando não estava ouvindo. Já desfrutei de sua covardia, ríspido recusá-la agora porque não me favorece. Porque não fui escolhido.

Não aquecerei seu prato para servi-la. Não a ajudarei no parto. Não partirei. Serei aquele que deveria ter sido, enterrado sem morrer, o que desapareceu permanecendo perto. Sou seu constrangimento mais alegre. Sua ferida, seu feriado.
Com o tempo, serei sua vontade de se calar. De se retirar da sala. Não conhecerá meus hábitos de puxar o café antes de ficar pronto. De abrir as venezianas como quem procura reunir os chinelos ao vento.

Você foi covarde, ninguém iria compreendê-la. Hoje todos a compreendem, menos você mesma. Você não se compreende depois disso. O que é imenso é estreito. O que é infinito fecha. Até o oceano tem becos e ruas sem saída. Até o oceano.

Sua esperança não diminui a covardia. Quer um conselho? Finge que a dor que sente é a minha para entreter sua dor. Saudades ficam violentas quando mudamos de endereço. Saudades ficam insuportáveis quando mudamos de sentido.
Você confunde sacrifício com covardia. Compreendo. Eu confundo amor com loucura. Cada um tem seus motivos, sua maneira de se convencer que fez o melhor, fez o que podia. Você me avisou que não tinha escolha. Nunca teria escolha. Você foi educada com a vida, pediu licença, agradeceu os presentes. Confiou que a vida logo a entenderia. E cederia. Engoliu uma palavra para dormir.
Não serei vizinho de seu sobrenome. Seus nomes esperam um único nome que ficou para trás. Você não desencarnou, não se encarnou, deixou sua carne parada nas leituras. Morrer é continuar o que não foi vivido. Vai me continuar sem saber. Você foi covarde. Com sua ternura pálida, seu medo de tudo, sua polidez em cumprir as promessas.

Você não aprendeu a mentir. Tampouco aprendeu a dizer a verdade. O dia está escuro e não soprarei a luz ao seu lado. O dia está lento e não haverá movimento nas ruas.
Você não revidou nenhuma das agressões, não revidará mais essa. Você foi covarde.
A mais bela covardia de minha vida. A mais comovida. A mais sincera. A mais dolorida.
O que me atormenta é que sou capaz de amar sua covardia. Foi o que restou de você em mim.

Fabrício Carpinejar

quarta-feira, 1 de julho de 2009

A Volta - Para os leitores

Aos leitores

Olá meu grande público, meus adorados leitores e admiradores...
Como podem ver no post abaixo, estava fora do mundo virtual - quase enlouqueci -, mas agora estou de volta. E espero que por muito e muito tempo....

Devido aos acontecimentos inesperados, parei no 6° capítulo do conto "A descoberta de Miguel". Não se preocupem - leitores - que assim que eu organizar tudo que esta pendente, volto a postar os capítulos. Na verdade volto a escrever o conto. Porque nem eu sei que descoberta é essa. E podem ter certeza que estou mais curioso do que todos. =D

Bom, espero ser bem recebido novamente. Espero a compreesão de todos, peço desculpas pela ausência, sei que estavam com saudades - eu muito mais.
Continuem seguindo esta Águia cheia de mistérios. Porque, verdade seja dita, nada mais estimulante do que o mistério...


Beijos e até já já.