(Confissões de uma Águia misteriosa)

Dor? Sofrimento? Sim, sinto e tenho, mas nada é fácil nesse mundo. Enfim, se você se conforma com a vida que tem, é porque tem medo de tentar, e eu não tenho e lutarei até o fim.

Sobre a Águia

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Eu não sou nada. Não posso querer ser nada. Mas tenho em mim todos os sonhos do mundo... Uma coisa é escrever como poeta, outra como historiador: o poeta pode contar coisas não como foram, mas como deveriam ter sido, enquanto o historiador deve relatá-las não como deveriam ter sido mas como foram, sem acrescentar ou subtrair da verdade o que quer que seja.

domingo, 12 de junho de 2011

Doze de junho

Jamais imaginara que esse dia chegaria tão rápido. Há anos que eu temo pelo dia doze de junho, e vários motivos me fazem sentir tal temor. O primeiro é que o mês de junho significa que já estamos na metade do ano. Já se vão seis meses desde o início do mesmo, onde faço os votos de promessa e a lista de coisas a fazer no novo ano.
O segundo motivo é o medo de estar sozinho. Por ser esse dia a comemoração entre casais apaixonados, o mel escorrendo pelas ruas da cidade, o amor pairando no ar. O medo de não ter ninguém para dizer palavras de carinho é o que me apavora, e muitas vezes me deprime. Porém algo diferente aconteceu comigo esse ano. Não sei se conseguirei explicitar o que tenho sentido, mas vou tentar.
Muito antes do início do novo ano eu já não sabia o que iria ser da minha vida, não consegui fazer planos, criar metas ou listar as coisas que queria fazer. Até achei estranho não fazer nada disso, pois pra mim é de praxe todos os finais de ano fazer tal tarefa. Porém este último final de ano eu estava quase que à deriva pelo tempo. A esperança já não existia, a certeza já havia me abandonado. Então o melhor a fazer era deixar a vida guiar, já que eu me encontrava inerte diante do futuro.
Comecei o novo ano sem rumo, fui vivendo. Me apaixonar, viver um grande amor, isso já não fazia parte nem dos meus sonhos. Fui esfriando a cada dia. Sem saber fui petrificando meu coração e trazendo a insegurança para viver ao meu lado. Me afundando no trabalho, vou procurando outros afazeres para fugir da minha essência. Quando menos espero o dia tão temido chega, entretanto diferente de todos os outros anos, não tive tempo de ficar chorando, temendo a solidão e me entregando a depressão.
Mas ao acordar na manhã do dia doze de junho, sinto um vazio, uma tristeza profunda, e então me lembro do dia em que estava. Com isso percebo que meu coração já não está tão petrificado assim, e que ainda há um sentimento adormecido. O sentimento que vem da minha essência. Porém consigo acordar sem chorar, apesar da tristeza de ainda estar sozinho.
O dia temido passou, consegui sobreviver. Percebi que ainda posso fazer ferver o sentimento frio e adormecido, e que nenhuma rocha é tão dura quanto parece.