(Confissões de uma Águia misteriosa)

Dor? Sofrimento? Sim, sinto e tenho, mas nada é fácil nesse mundo. Enfim, se você se conforma com a vida que tem, é porque tem medo de tentar, e eu não tenho e lutarei até o fim.

Sobre a Águia

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Eu não sou nada. Não posso querer ser nada. Mas tenho em mim todos os sonhos do mundo... Uma coisa é escrever como poeta, outra como historiador: o poeta pode contar coisas não como foram, mas como deveriam ter sido, enquanto o historiador deve relatá-las não como deveriam ter sido mas como foram, sem acrescentar ou subtrair da verdade o que quer que seja.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Saudade da infância

Que saudade da infância.
Tempo em que tinha todas as tardes livres. Quando não estava brincando, estava assistindo TV ou então dormindo. Não sabia o que era conta pra pagar nem muito menos o valor do dinheiro.
Preocupação não fazia parte do meu vocabulário, e nem do sumário. Completamente diferente dos dias atuais.
Lembro-me das tardes na casa da vovó, alguns primos e diversas brincadeiras, mas não era melhor que os domingos quando estava a família toda reunida: primos, tios, agregados e quem mais quisesse chegar.
Televisão só passava a existir quando eu estava só. Quando tinha pelo menos um primo comigo, queríamos era brincar na rua, na chuva... na fazenda não, pois nessa época meus avós já não a possuía. Recordo-me que as brincadeiras eram muito mais interessantes, mais divertidas. Era sete pecados, baleado, barra bandeira, amarelinha, cinco cortes [quando tinha mais gente na roda aumentávamos os cortes], esconde-esconde... Como dá pra perceber as brincadeiras nunca eram dentro de casa, lá só entrávamos quando alguém chamava.
Ah que tempo bom que não volta mais. Agora só resta na lembrança e nas fotografias guardadas na gaveta.
Hoje tudo mudou, tanto para mim quanto para as crianças atuais. Para mim as responsabilidades aumentaram, os problemas apareceram, a preocupação está sempre presente. As brincadeiras agora são em volta de uma mesa, contando piada ou relembrando situações engraçadas do passado. São os momentos mais felizes atualmente.
Para as crianças de hoje as brincadeiras de outrora já não tem mais graça. Brincar na rua por quê? Melhor é ficar dentro de um quadrado assistindo TV ou acessando a internet. Se bem que com tanta violência e bandidagem que há atualmente é mais seguro ver os nossos filhos dentro de casa mesmo.
Instinto de sobrevivência.
Quando criança eu queria ser adulto, hoje adulto luto para não perder a criança que ainda existe em mim. A minha infância sempre vai existir, agora dentro de mim, nas lembranças e nas saudades. Que eu nunca esqueça o que aprendi e o que senti quando criança. Só assim serei um adulto muito mais feliz e livre.
Ainda assim continuo com uma baita saudade da infância, a gaveta abriu e não quer fechar.


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Primeiro encontro

Um convite,
Olhos nos olhos,
A timidez,
Coração acelerado.

No salão a música envolvente,
Corpo no corpo.
Deslize.
Desejo ardente nos lábios.

O beijo,
A textura dos lábios,
A umidade no toque,
Vontade louca de parar o tempo.

Tremor dos corpos,
Arrepio na pele,
O querer mais que querer.
E então prazer.


Lhéo Fernandes
[18/08/2011]

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Paixão

Foi numa noite de domingo que Paulo conheceu o sabor da outra metade. Ele jamais imaginaria que seria de um jeito tão estranho, tipo ‘conto de fada’.
Conheceu o Ricardo na festa da amiga de Juliana. Assim que Paulo bateu os olhos em Ricardo, algo o atraiu, talvez seu porte físico. Um rapaz alto, corpo atlético, sedutor. E tratou logo de pedir a sua prima pra saber algo sobre o Ricardo. Quem ele era, se era comprometido. E tudo o que Juliana conseguiu saber sobre Ricardo, era que ele era cunhado da anfitriã.
Paulo não se satisfez com apenas essa informação. Passou a noite toda esperando um momento para puxar assunto com o Ricardo. E foi no toalete que ele achou a oportunidade. Quando Paulo entrou no banheiro viu o Ricardo arrumando seu cabelo em frente ao espelho, e logo seus olhares se cruzaram. Algo de extraordinário aconteceu no ar e naquela troca de olhares.
Passaram alguns minutos conversando até Juliana ligar para Paulo chamando o pra ir embora. Trocaram números de telefone e deixaram no ar a promessa de uma ligação no dia anterior. Na volta pra casa Paulo relembrava a conversa que tivera há pouco com o cara mais sedutor que conhecera. O seu jeito de falar deixava qualquer pessoa hipinotozada, era assim que Paulo estava se sentindo. Sem contar o lado misterioso de Ricardo. Ele parecia que escondia algo.
Tudo o que Paulo descobrira sobre ele, foi que Ricardo estava solteiro, e seu irmão namorava Larissa, a dona da festa. Não conseguiu saber mais nada, muito menos o que tanto remoia em sua cabeça. Ricardo deixava dúvidas.
No dia seguinte Paulo hesitou em ligar para Ricardo, passou o dia todo esperando a tal ligação. Já tinha perdido a esperança, afinal de contas Paulo nem sabia se ele era gay, pouco sabia da sua vida. Resolveu então ir caminhar na praia, pensar um pouco na vida, refletir sobre a noite anterior. E foi nesse momento que o telefone tocou, e para surpresa de Paulo, que já estava sem esperança, o nome que apareceu na tela do celular o fez tremer, deixando suas pernas bambas. Sentou ali mesmo na areia, pois mais um segundo ele cairia. Ficou sem entender porque isso aconteceu com ele. O que Ricardo tinha que o fazia perder os sentidos? Isso era o que Paulo queria descobrir quando atendeu a ligação.

- Alô? – Paulo atende desconfiado.
- Liguei pra saber o que você vai fazer hoje. Estava pensando em convidar-lhe para dar uma volta. Talvez tomar uma água de côco.
- Bom, eu estou nesse momento aqui na praia...
- Ótimo, então me espera. – Ricardo falou mais alegre do que nunca.
Paulo ficou sem entender. Não parecia nem um pouco com o garoto que conhecera ontem na festa. Ele estava mais aberto, parecia feliz com alguma coisa. Agora a ansiedade tomava conta de Paulo.
Minutos depois Ricardo senta ao lado de Paulo, ambos olhando para o mar. Como Ricardo o achou? Só o destino e o desejo podem responder.
Paulo logo percebeu algo de diferente com Ricardo. O lado misterioso ainda continuava em seu semblante, mas ele parecia mais alegre, animado. Nada melhor do que uma noite de reflexão.

- Pensando em quê? – Perguntou Ricardo sentando ao lado de Paulo.
- Nos mistérios e surpresas da vida. – Paulo falou se virando para olhar nos olhos de Ricardo.
- Então quer dizer que a vida te fez alguma surpresa?
- Em partes sim.
- Hum. Pois eu posso dizer que a vida me fez uma surpresa... – Ricardo parou, sentia o coração acelerar.
- Ah, e qual foi a surpresa que ela te fez?

Paulo continua olhando para Ricardo que olhava o horizonte atentamente, foi se virando aos poucos para olhar nos olhos de Paulo. E depois de duas piscadas, ele disse:

- Você! Não parei de pensar em você desde o momento em que nos vimos..
- Eu também. – Disse Paulo quase sem voz de tanta emoção. Ele não acreditava que aquilo estava acontecendo com ele. Sempre que se interessava por alguém nunca era correspondido. Mas o que estava acontecendo ali era tudo ao contrário. O garoto que ele gostou, estava interessado também.
- Você também gostou de mim? Achei você um pouco frio quando te liguei, pensei que não tivesse se interessado por mim. – Ricardo fala mais animado.
- Engraçado, pois eu achei você muito misterioso. Cheguei a pensar até que você não gostasse de homens. - Eles riram.
Ricardo olhando nós olhos de Paulo se aproxima dos seus lábios, e eles se beijam selando assim o começo de uma nova paixão.