(Confissões de uma Águia misteriosa)

Dor? Sofrimento? Sim, sinto e tenho, mas nada é fácil nesse mundo. Enfim, se você se conforma com a vida que tem, é porque tem medo de tentar, e eu não tenho e lutarei até o fim.

Sobre a Águia

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Eu não sou nada. Não posso querer ser nada. Mas tenho em mim todos os sonhos do mundo... Uma coisa é escrever como poeta, outra como historiador: o poeta pode contar coisas não como foram, mas como deveriam ter sido, enquanto o historiador deve relatá-las não como deveriam ter sido mas como foram, sem acrescentar ou subtrair da verdade o que quer que seja.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Meia Noite em Paris



Woody Allen nos presenteia com mais uma de suas magníficas obras. Meia Noite em Paris é um filme super envolvente, e porque não dizer apaixonante.
Diferente do que li por aí, e do que ouvi de algumas pessoas. O filme não é um romance meloso em que passamos noventa minutos chorando ou torcendo para que o mocinho se case com a mocinha no final do filme. Muito pelo contrário, Meia Noite em Paris começa com um casal aparentemente apaixonado, que estão nos preparativos para o casamento. Só que a ideia central do filme não é o romance desse casal, e sim o lugar onde eles estão. A famosa Cidade Luz, onde tudo pode acontecer.
E acontece.
Quando os sinos da igreja soam as doze badalas, o espectador só falta entrar na tela para seguir pelo túnel do tempo com Gil, um apaixonado pelos escritores da década de 20. E é a partir da meia noite que ele embarca num carro antigo, levando o a conhecer uma Paris deslumbrante. Fora os grandes e renomados artistas da época como Salvador Dalí, Scott Fitzgerald, Pablo Picasso, Ernest Hemingway, Cole Porter, Luis Buñuel, entre outros, que aparecem dando conselhos e fazendo o protagonista refletir sobre sua obra, um romance inacabado.
O filme é simplesmente envolvente, e faz com que você torça para que chegue logo a meia noite para embarcar junto nesta fascinante viagem. Porém uma das lições de Allen, é quando nos faz refletir quanto a época em que vivemos. Nunca estamos satisfeitos com o presente. Quem nunca disse ou ouviu alguém dizer que uma determinada época era bem melhor do que a qual vivem hoje em dia. Eu mesmo já disse muitas vezes que queria poder voltar no tempo e ficar na década de 50. Para mim foi uma época maravilhosa.
E pela voz do personagem Gil, Allen nos diz que "A Era de Ouro" é sempre aquela anterior a qual estamos vivendo, e assim deixamos de aproveitar a nossa época pensando na época passada.
Enfim, Meia Noite em Paris nos faz ter a certeza de que o presente é insuficiente para quem não tem limites para sonhar, só que as vezes deixamos de perceber que o melhor momento é aquele onde se pode andar na chuva pela Cidade Luz, onde ela fica ainda mais linda e apaixonante.

Recomendadíssimo esse filme.
Não sou nenhum crítico de cinema nem tenho a pretensão de ser um. A minha intenção aqui é apenas dar a minha opinião às obras em que me chamam a atenção de alguma forma, ou para bom ou para ruim. E essa obra de Wood Allen me fez viajar a cada badalada do sino.

Escrito por Lhéo Fernandes
  

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Desejo Proibido - Parte II


...
Pois é, quando notei já estava dentro do apartamento do Marcos. 
O cheiro dele ainda mais forte me embriagando de um desejo louco. Comecei a andar por todos os cômodos, e a cada parte o meu desejo aumentava, já não tinha mais consciência de nada, tudo estava realmente fora de controle.
Entrei no seu banheiro, os meus músculos já estavam rígidos e tensos ao mesmo tempo. Eu sentia um misto de prazer e alegria por estar ali. Ousei ainda mais quando entrei em sua banheira nu, realizando fantasias que até então estavam apenas no meu pensamento. É bem verdade que eu estava sozinho, mas para mim era como se ele estivesse ali comigo, o seu cheiro era tão forte que parecia estar ao meu lado realizando todas as minhas fantasias mais ocultas. Comecei a me tocar como nunca tinha tocado antes. Parecia realmente outra mão se apossando do meu corpo. A mão do Marcos.
Saí da banheira, um desejo ainda mais intenso me levou até o seu guarda roupa, o cheiro pela casa já não me satisfazia, queria mais, quando notei já estava cheirando suas roupas, isso me fazia senti-lo mais presente. O tesão aumentou consideravelmente, estava quase no ápice quando abri sua gaveta de cuecas, isso me deixou tão louco que não pensei duas vezes comecei a levá-las ao meu nariz, comecei a gemer de prazer, aquilo nunca tinha acontecido comigo. Nunca me senti tão cheio de tesão e prazer como hoje.
Procurei loucamente por uma cueca usada, aquilo com certeza teria me deixado tão alucinado que teria gozado sem nem precisar me tocar. Mas por infelicidade, ou talvez felicidade, não encontrei a tal cueca. Continuei o sexo com a minha ilusão. Estava tudo muito perfeito, sonhei com isso há anos, e juro que naquele momento tudo era muito real. Cheirava suas cuecas loucamente como se estivesse passando minha boca pelo seu corpo, que tanto desejava.
Quando cheguei ao auge do meu tesão gozei como nunca tinha gozado antes. Foi o melhor sexo que já fiz em toda a minha existência até hoje. Gemia de prazer ainda com suas cuecas espalhadas pelo meu corpo.
Me recompus, olhei para o relógio e já estava na hora de Marcos chegar em casa, não queria que ele me visse ali, não saberia ou talvez não conseguiria explicar o que estava acontecendo. Mesmo estando confuso pelo almoço, não queria arriscar ter que encontrá-lo depois de tudo o que aconteceu ali. É melhor que tudo fique no meu pensamento como sempre foi. Não queria estragar a tarde maravilhosa que passei. Pois para mim foi real e ninguém vai tirar isso de mim.
Saí de lá sem deixar rastros, mas com uma sensação de prazer e liberdade. Nunca me senti tão feliz e realizado como estou me sentindo agora. O seu cheiro ainda está no meu nariz. Voltei para a praia e prometi para mim mesmo que ia levar esse segredo para sempre comigo. E que jamais deixarei que nada estrague a nossa amizade tão linda e verdadeira. Assim espero.
Posso ser feliz só tendo sua amizade, pois bem sei que daquele mato não sai cachorro.
Ou será que estou enganado? É melhor deixar tudo como está.

Denis.

Desejo Proibido - Parte I


Hoje aconteceu algo inesquecível. Desde sempre tive maior tesão no Marcos, meu melhor amigo. Como de praxe em todos os casos, esse desejo não era correspondido. No começo foi muito difícil lidar com a situação de estar perto dele e não poder tocá-lo, sentir o seu hálito e ter que me segurar para não beijá-lo. O tempo foi passando, e por gostar tanto do Marcos fui aceitando o que ele tinha para me oferecer no momento, apenas sua amizade. Que para mim já era o suficiente.
Porém, nunca tinha questionado o fato de eu me acostumar com tão pouco, comparado ao que sentia por ele. E o que eu sentia era algo muito forte, então aceitei que ele me desse metade da metade do meu sentimento por ele. Estava satisfeito, melhor uma amizade verdadeira do que um relacionamento conturbado. Sempre gostei das pessoas sem ser correspondido, amava sozinho e calado. Sofria, chorava, dava gargalhadas, sempre dialogando com o meu eu. Aprendi como controlar os desejos e as vontades, mas sempre havia um momento para colocar tudo para fora, mesmo esse momento sendo dentro de um quarto ou de um banheiro. Assim foi minha adolescência, então era expert em manipular os desejos e gozos febris. E no decorrer dos anos pra mim foi ficando fácil lidar com tudo isso.
Hoje almoçamos juntos como todos os dias, ele estava vestido com um jeans e uma camisa branca que mostrava as definições do seu corpo atlético, o seu cheiro aguçou o meu desejo. Era algo inebriante que mexia com os meus sentidos. Não sei o que tinha de diferente, mas depois de anos a chama do tesão reacendeu com todo gás, me deixando perdido novamente. Hoje parece que algo saiu do meu controle. Perdi completamente as rédeas do meu desejo. Durante o almoço passei o tempo todo incomodado com a situação, estava perturbado, o pior é que estava impossível de esconder. Ele, claro, percebeu algo, mas consegui desviar do assunto. Eu acho.
Até aí estava tudo bem, o que me confundiu mais ainda foi quando percebi olhares com segundas intenções da parte dele, e os toques demasiados da sua mão na minha quando estava contando sobre a próxima viagem de férias. Já não via a hora de voltar para o trabalho, só assim tinha algo para ocupar minha mente tão confusa. O trabalho ajudaria mesmo, se ele não trabalhasse na minha frente, e no mesmo escritório.
Dois anos depois de termos nos conhecido, começamos a trabalhar no mesmo lugar. Se eu não tivesse fazendo parte dessa história, poderia jurar que tudo é invenção ou então um conto qualquer de romance. Mas o pior: é tudo realidade.
Voltamos ao trabalho, só que eu não conseguia mais ficar ao lado dele, tudo estava fora de controle: o coração, os músculos e os desejos. Pedi folga ao chefe alegando não estar muito bem e que precisava ir ao médico urgente. Tudo caô, eu precisava mesmo era ficar longe do Marcos, o desejo só aumentava principalmente quando ele olhava para mim e mostrava o seu sorriso mais lindo. Não queria sentir aquilo, tudo ia tão bem. A nossa amizade já era forte e sincera. Não queria arruinar tudo que foi construído ao longo de dez anos.
Saí sem destino, perdido em meus próprios pensamentos. Fui sendo levado e acabei chegando à praia. Um ótimo lugar para refletir e colocar a cabeça no lugar. Fiquei horas conversando com o deus dos mares, pedindo ajuda para que tudo aquilo voltasse a ser adormecido ou até mesmo definitivamente esquecido, não deixando atrapalhar uma amizade tão bonita que foi construída a muito custo, pelo menos da minha parte. Mas parece que não fui atendido no meu pedido tão sincero. Depois de horas olhando para a imensidão do mar e procurando alguma resposta voltei para o carro e continuei rodando sem destino.
Cheguei em frente do seu apartamento, sabia que ele não estava, ainda não tinha acabado o expediente. Porém eu também sabia que o apartamento estava vazio, ele morava só. E um detalhe muito importante: não sei por que motivos, mas meses atrás ele tinha me dado uma cópia da chave. Talvez por ele ser tão esquecido e ter perdido as chaves várias vezes. Mas desde que ele me entregou essa cópia, nunca mais perdeu chave nenhuma. 
Queria muito não ter aquela chave naquele momento, sabia que estava fora de mim. Tinha medo de fazer algo que pudesse acabar a amizade. Entretanto o fato é que ela estava na minha mão e quando eu dei conta já estava dentro do apartamento...