(Confissões de uma Águia misteriosa)

Dor? Sofrimento? Sim, sinto e tenho, mas nada é fácil nesse mundo. Enfim, se você se conforma com a vida que tem, é porque tem medo de tentar, e eu não tenho e lutarei até o fim.

Sobre a Águia

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Eu não sou nada. Não posso querer ser nada. Mas tenho em mim todos os sonhos do mundo... Uma coisa é escrever como poeta, outra como historiador: o poeta pode contar coisas não como foram, mas como deveriam ter sido, enquanto o historiador deve relatá-las não como deveriam ter sido mas como foram, sem acrescentar ou subtrair da verdade o que quer que seja.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Simplesmente EU

Já escondi um amor com medo de perdê-lo; Já perdi um amor por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo; Já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida... e me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono; Já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram; Já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou; Já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois... Já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância a pessoas que amava, para mais tarde chorar quieto em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza; Já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena; Já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crise de riso quando não podia...
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar e já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns... Outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, e também para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo mais feliz.
Já inventei histórias de final feliz, para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade.
Já tive medo do escuro. Hoje no escuro me acho, me agacho, fico ali.
Já caí inúmeras vezes, achando que não iria me reerguer; Já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria, apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro por ele levar alguém que eu amava embora.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo", e descobri que não eram.
Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada, e foram e sempre serão especiais para mim.
Não me deem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração.
Não me façam ser o que eu não sou.
Não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente.
Não sei amar pela metade,
Não sei viver de mentiras,
Não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesmo.. mas com certeza não serei o mesmo para sempre.
Gosto de venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das ideias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!

[Clarice Lispector]

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